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Alcoolismo como problema social

A mente humana está apta para empreender fuga de predador. Ou agir contra cobra, lacraia e inimigo tribal. Afinal, patrocina o medo que nos protege dos perigos imediatos. Ela não foi programada para dar conta dos perigos embrulhados em prazeres. Ignora, por exemplo, que o álcool ceifa a vida antecipadamente. A mente tem que ser reprogramada para o bem viver com menos perigos no contemporâneo.

No Brasil se tem endemias de doenças causadas por álcool e fumo – sem programa preventivo governamental. Nos países da América Latina, já situa no terceiro lugar do ranking com abuso de álcool, segundo estudos da ONU. Levantamento da Secretaria Nacional Antidrogas aponta 78% dos jovens brasileiros bebem regularmente. 19% já são alcoólatras.

Vale trazer o parâmetro anterior, onde apenas 5% dos adolescentes brasileiros preenchiam os critérios da dependência alcoólica. De acordo a ciência o jovem que bebe antes dos 15 anos fica mais propenso ao alcoolismo do que o que inicia após 21 anos.

Não refiro ao beber social, mas ao alcoolismo, colocado pela OMS como flagelo. E equiparado em morbidade e mortalidade ao câncer, distúrbio cardíaco etc. Enfim, doença incurável, progressiva e fatal.

A média do alcoolismo juvenil europeu (47%, segundo a Unicef) registrava a Islândia com a maior taxa per capita – antes de 1990. Hoje com apenas 5% de jovens bebendo e fumando. Em duas décadas o programa institucional (Juventude na Islândia) alterou o quadro ruim. Difícil achar no país nórdico alcoólatras.

A Islândia redescobriu a importância da família unida. Da política de prevenção centrada nos genitores. E que filho deve ser apoiado, controlado e constantemente vigiado. Deve aprender os efeitos negativos do álcool e outras drogas. Além do tempo familiar livre ser preenchido com esportes, músicas e danças. Escola por lá tem projetos extracurriculares para pais e filhos. Desde 2002 ficou proibido o adolescente ir à rua sozinho após as 22 horas.

Hoje 30 municípios europeus resolvem seus problemas com alcoolismo com base no programa dos islandeses. Aqui quem educa são os pais e não o governo. O policial, o juiz diante de infração filial discute com os pais. E juntos têm que achar a saída melhor (socioeducativa).

O mais recente está em Tarragona Espanha, onde se implantou o Serviço Municipal de Prevenção de Vício (2015), onde já se atinge 2,5 mil jovens no município ao sul de Barcelona. Há percalços nele, mas que gradativamente estão sendo superados.

No Brasil o bom estudo epidemiológico de dependência de álcool do Cebrid (último e disponibilizado) registrou índice de 68,7% dos jovens bebendo fartamente. Além de taxa progressiva de 12,3% de alcoólatras por decênio. Tudo impelindo providência tal como já ocorre entre os islandeses.

Se mantiver a inércia governamental mais prejuízos tendem a avolumar com mais mortes imoderadas de jovens e adultos no Brasil.

Há necessidade nacional de programa populacional para se aprender a ter medo dos grandes inimigos – álcool, tabaco e drogas. E abertura de contornos deles por simples revalorização de valores comunitários. E vida municipal interativa e mais intensa contra os ócios juvenis.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado.


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