"> Museu traz relíquias utilizadas por governadores desde 1941 – CanalMT

Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Géssica Biazus

Com intuito de desenvolver a região, em 1940 Getúlio Vargas destinou recursos para várias cidades do Centro-Oeste brasileiro, para a construção uma casa oficial dos governadores, já que os estes costumavam alugar locais para morar.

De lá para cá, 14 governadores fizeram lar na residência, localizada na rua Barão de Melgaço, em Cuiabá. Fechado por anos, em 2018, o local voltou a ser aberto como Museu Residência dos Governadores e até hoje preserva relíquias do acervo do local usados pelos políticos e que já compuseram o antigo Palácio do Alencastro, que era interligado à casa.

Em conversa com o GD, o superintendente de preservação do patrimônio histórico e museológico Robinson de Carvalho Araújo explica como a casa foi fundamental para a evolução arquitetônica da época.

Géssica Biazus

Residência dos Governadores

“Ela possui estrutura de concreto que não era comum na época, porque foi nesse momento que começou a chegar cimento em Cuiabá. Não existia ferro, cimento. O sobrado era raro na época, e o principal diferencial é o afastamento em relação à rua, que não era comum”, conta.

Ele relata que a tradição colonial era colocar a porta da casa no começo do lote devido à segurança, mas que o afastamento foi ideia da primeira dama da época, Maria de Arruda Müller, esposa do primeiro governador que residiu no local, Julio Müller, para conseguir ter um jardim.

“Ela teve a ideia de trazer o jardim para frente da casa para ornar a fachada do imóvel. Evidente que eles já tinham circulado o mundo e tinham algumas referências. Foi a partir daí que os imóveis começaram a ter recuo e hoje é uma exigência, mas na época não era”, explica.

Outros fatores, como o gás canalizado e o banheiro dentro de casa, fizeram com que os costumes mudassem com o tempo.

O último governador a morar na residência foi Julio Campos e, ao terminar seu mandato, decretou a criação do museu, em 1986. Porém, ele não foi efetivado e passou a ter outros usos, como o banco MT Fomento.

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Residência dos Governadores

“Foi em 2018, quando o imóvel voltou para a Secretaria de Cultura, que a gente conseguiu ir capturando em alguns locais o mobiliário. Como, por exemplo, no Palácio Paiaguás, e com pesquisa de foto, imagem, vídeo, a gente foi remontando todos os ambientes para demonstrar como que era a vida no local, no imóvel naquele período”, conta.

Robinson destaca que a casa é de extrema importância para a cultura do estado, uma vez que ela demostra como era o estilo das décadas de 40 a 80. “Essa residência possibilita com que a população tenha acesso ao modo de vida dos governantes na década 40, de 50, até a década de 80, quando eles transitavam por aqui. Então, permite também que as crianças de hoje e pessoas que eram mais novos na época também consigam acessar o imóvel e conhecer todo esse acervo”.

Com uma decoração original, a casa conserva em perfeito estado a sala de jantar, com sua coleção completa de utensílios domésticos, taças e o relógio da época. Além da sala de estar com as poltronas e mesa de centro, o escritório do governador, em que inclusive está o decreto da criação do museu, há roupas originais da época e uma mesa do Palácio Alencastro utilizada por Fernando Corrêa.

Na parte externa, o local traz o busto dos governadores do Estado até os dias atuais esculpidos em argila.

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Residência dos Governadores

“Aqui era um local totalmente ligado ao palácio. Era onde aconteciam as reuniões mais fechadas, mais reservadas, além das festas de gala, os banquetes, quando se recebia algum governante, alguma autoridade de outro Estado ou de outro país. Houve vários momentos que a casa recebeu eventos de qualidade, isso era bastante comum”, finaliza.

Juliene Barbosa, historiadora que atua no museu desde 2018, conta que ele é repleto de pertences de todos os governadores que já moravam no local.

“Na sala estão as vestimentas de Júlio Campos e sua esposa. Na parte de cima, restou apenas um quarto do governador, mas nós não estamos fazendo visitas na parte superior da casa devido à falta de acessibilidade. Nele está uma mesa réplica da Casa Branca e uma foto do governador de 1950, Fernando Corrêa da Costa, sentada nela”, explica Juliene.

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Residência dos Governadores

Assim como diversos museus da cidade, o Museu Residência dos Governadores recebe, em sua maioria, excursões escolares.

“Cerca de 1.600 pessoas costumam passar pelo local anualmente, em sua maioria, estudantes de escolas e universidades”, conta a historiadora.

O museu fica aberto de segunda a sexta, das 9h às 17h, e a entrada é gratuita.


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