Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Reprodução
Criado em 2007 pela ONU e instituído no Brasil pela Lei 13.652/2018, o Dia Mundial e Nacional de Conscientização sobre o Autismo é celebrado em 2 de abril. A data tem o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo a inclusão e garantindo direitos às pessoas autistas.
O autismo é uma condição que afeta o desenvolvimento do cérebro, impactando a comunicação, a linguagem, o comportamento e a interação social. Desde 2012, pessoas autistas têm direito a concorrer a vagas destinadas a pessoas com deficiência. Para reforçar essa inclusão, uma mudança na Lei 13.667/2018 determinou que o Sistema Nacional de Emprego (Sine) deve adaptar suas instalações e capacitar seus funcionários conforme as normas de acessibilidade da ABNT.
Apesar dos avanços legais, a inclusão no mercado de trabalho ainda é um desafio. O psicólogo Raphael Alves explica que o autismo não é adquirido ao longo da vida, mas se manifesta desde o desenvolvimento da pessoa. No entanto, barreiras como dificuldades de comunicação, interação social e sensibilidades sensoriais acabam dificultando a permanência no emprego.
Esse foi o caso de Yuri Nobrega, desenvolvedor na área de TI. A falta de flexibilidade no ambiente de trabalho e os ruídos excessivos comprometeram sua produtividade no último emprego. “Já passei por diversas dificuldades, principalmente no ambiente de trabalho. Levou tempo até que houvesse uma compreensão melhor sobre minha condição”, conta.
Os sons constantes das máquinas e os ruídos inesperados dos colegas afetavam diretamente sua concentração. “Sempre reclamei do barulho, porque atrapalhava minha produtividade. Sons repentinos me assustavam e me deixavam mal”, relata Yuri.
Para Raphael Alves, o mercado de trabalho ainda não está preparado para receber adultos autistas. “Muitos ainda associam o transtorno apenas a crianças, e o empresariado tem dificuldades em pensar na inclusão dessa população no ambiente profissional”, afirma.
A conscientização e a adaptação dos espaços de trabalho são passos fundamentais para garantir que pessoas autistas tenham oportunidades justas e condições adequadas para desempenhar suas funções com eficiência e bem-estar.